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No último mês do ano, entidades se unem, demonstram a força do povo, provocam recuo nas ações dos golpistas e a previsão de mudanças concretas na política econômica

cmp em bsbVivemos um ano extremamente difícil para o povo trabalhador de nosso país. A ofensiva conservadora, capitaneada por golpistas patrocinados por grandes corporações capitalistas e amplamente apoiados pela mídia burguesa, impôs uma agenda de aprofundamento da crise política, com consequentes reflexos negativos na economia.

Além disso, erros gravíssimos cometidos pelo governo, como a imposição de um ajuste fiscal que penaliza a classe trabalhadora, cortes em recursos que garantem direitos sociais, a extinção de importantes ferramentas de apoio às lutas populares e a manutenção de alianças que, objetivamente, jogam contra o projeto democrático popular, sinalizaram que a solução para a crise dependeria, mais uma vez, da capacidade de organização, unidade e mobilização do campo progressista.

Mais de 250 mil nas ruas, contra o golpe e o ajuste fiscal e pelo fora Cunha!
Em todo o país, militantes dos movimentos populares, estudantis e sindicais, foram às ruas, no dia 16 de dezembro. Organizados pela Frente Brasil Popular, da qual a CMP participa, estes movimentos, que já haviam organizado outras importantes manifestações durante todo o ano, deram um recado direto: não vai ter golpe sem resistência popular! Nossas organizações não forjaram covardes, forjaram homens e mulheres dispostos a lutar, com todas as forças e ferramentas, por seus direitos e pela soberania do nosso país!

Um fato importantíssimo, que pode ser uma das marcas da virada popular sobre os golpistas, é a vitória numérica e organizativa das manifestações do dia 16 em relação aos atos pró-impeachment e golpe militar, realizados no dia 13.

A CMP uniu-se às entidades que organizam a Frente Brasil Popular para dizer não ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff, exigir mudanças na política econômica e o afastamento imediato de Eduardo Cunha da presidência da Câmara, além de sua cassação e prisão pelos crimes mais do que comprovados.

Reunião com Dilma e queda de Levy
No dia seguinte às manifestações, a presidenta Dilma recebeu dirigentes das entidades que compõem a Frente Brasil Popular, além de personalidades como Leonardo Boff, Chico César, Tico Santa Cruz e Luiz Carlos Barreto.

Dilma ouviu das entidades o compromisso de luta contra o impeachment e a cobrança por mudanças imediatas na política econômica, com o fim do ajuste fiscal que impõe perdas a perda de direitos trabalhistas e sociais.

O Coordenador Geral da CMP, Eduardo Cardoso, participou do encontro e disse que as entidades deixaram claro à presidenta que “Estamos fazendo nossa parte, mas queremos sinalizações concretas por parte do governo de que as mudanças que beneficiam o povo vão começar o mais rápido possível”.

Esta sinalização cobrada pela CMP veio no dia seguinte, com a queda do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, grande responsável pela imposição do ajuste fiscal anti-povo.

Eduardo Cardoso, representando a CMP, ainda propôs o lançamento imediato do MCMV - Minha Casa, Minha Vida Fase 3, a ampliação das contratações para o MCMV Entidades, e argumentou que a qualidade e o tamanho das unidades são melhores que das ofertadas pelas construtora.Também cobrou empenho do governo para derrotar a Lei Anti-Terrorismo, com aprovação preliminar do Congresso, que visa reprimir e criminalizar as lutas por direitos e pela democracia. E por fim disse a Presidenta Dilma, que "Estamos juntos, defendendo a democracia e a continuidade de seu mandato, mobilizando nas ruas, praças e no coração do povo brasileiro. Não vai ter Golpe!", concluiu Eduardo.

Uma semana de vitórias importantes
Além das manifestações do dia 16 e da queda de Joaquim Levy, outros fatos importantes nos permitiram vislumbrar um importante avanço na luta popular neste fim de ano.

Começamos com o julgamento do STF sobre o rito do impeachment, que negou a existência de chapa avulsa e a votação secreta para a composição da comissão, além de assegurar ao Senado a palavra final sobre a abertura do processo. No mesmo dia, durante a reunião da Frente Brasil Popular com a presidenta Dilma, Leonardo Boff, maior expoente intelectual da Teologia da Libertação, afirmara que estava ali para "Defender a democracia, e realizar a extrema unção do golpe". Poucas horas, depois o STF decidia pela ilegalidade da comissão criada por Eduardo Cunha.

Eduardo Cunha também sofreu derrotas importantes: a presença de agentes da Polícia Federal em suas propriedades para a realização de buscas apontam para a possibilidade de fim de sua impunidade. Por muito menos, muitos brasileiros foram encarcerados. Depois, a Procuradoria Geral da República pediu seu afastamento imediato da presidência da Câmara e a “tropa do Cunha” foi derrotada, por 11 votos a 9, na comissão que definiu a abertura de processo contra ele. Finalmente, Leonardo Picciani, desafeto de Cunha, retomou a liderança do PMDB na Câmara.

Também na Câmara, contrariando o posicionamento irresponsável dos golpistas, o orçamento de 2016 foi aprovado.

Além disso, Anfavea e Abimaq, importantes entidades empresariais, se opuseram à posição pró-impeachment da FIESP, o TCU iniciou a revisão quanto à responsabilidade de Dilma nas chamadas “pedaladas fiscais”, o ex-presidente do PSDB,

Eduardo Azeredo, foi condenado a 20 anos de prisão na ação conhecida como “Mensalão Tucano” e os desvios praticados na Petrobras durante as gestões de FHC, começaram, finalmente, a ser investigados.

Em 2016, a luta continua!
Vivemos uma quinzena que foi capaz de nos alentar e de reforçar a certeza de que mudança, pra valer, só acontece com o povo organizado, nas ruas e na luta!

Neste verdadeiro jogo de xadrez, conseguimos posicionar nossas peças em uma condição muito mais favorável de defesa e até nos aventuramos a partir para o ataque. Porém, nada está ganho e os riscos de derrota ainda são enormes!

Em 2016, precisamos manter nossa mobilização e a busca por unidade nas ações em defesa do povo pobre, das mulheres, das crianças, dos excluídos, da classe trabalhadora!

A conjuntura política ainda é desfavorável, não nos dará trégua, nem vai sair de férias.

A CMP vai continuar mobilizada e vigilante, na luta por uma outra política econômica, que não retire direitos da classe trabalhadora! Não ao golpe! Fora Cunha!

 

Fonte: Portal da CMP - www.cmp.org.br