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A moradia digna é um direito que deve ser garantido a todas e todos. No Brasil isso ainda é motivo de muita luta.Para 800 famílias do MSTL esse direito se concretizou num momento em que morar com dignidade representa uma grande conquista no enfrentamento ao coronavírus e à crise.

A moradia digna é um direito sagrado, previsto na Constituição Federal e deveria ser garantida para todos os brasileiros. Lamentavelmente, na prática não é assim que funciona. Milhões de famílias ainda sofrem em moradias precárias, vivem em casas de parentes ou são vítimas dos altos custos de aluguel. Com a pandemia do novo coronavírus, essa situação se agravou bastante. É por isso que ver 800 famílias assumindo seus apartamentos nos Projetos Frei Tito e Nelson Mandela, organizados pelo MSTL no Bairro Cooperativa, em São Bernardo do Campo, nos enche de alegria e esperança.
O jornal Papo Reto entrevistou o coordenador dos projetos, Eduardo Cardoso, que falou de sua alegria com essa conquista, dos desafios que estes novos moradores vão enfrentar e da necessidade de se organizar mais famílias para lutarem por seus direitos.

Papo Reto: Qual é a sensação de ver este projeto concluído?

Eduardo Cardoso: É um misto de emoção e certeza de dever cumprido. Quando assumi este desafio, tínhamos um grupo de famílias dispostas a lutar por seus direitos e a certeza de que juntos poderíamos conquistar uma moradia digna. Muitos anos se passaram, alguns ficaram pelo caminho, outros, inclusive de importantes entidades parceiras foram chegando e, agora, podemos celebrar nossa conquista.

Papo Reto: Você atribui esse sucesso a algum elemento em especial?

Eduardo CardosoEduardo Cardoso: Há vários aspectos que precisam ser analisados, todos muito importantes. Então, não posso dizer que exista um elemento especial, mas um conjunto deles. Por exemplo, em todas as nossas reuniões e assembleias, iniciamos com um momento de oração, respeitando todas as religiões. No nosso projeto há evangélicos, católicos, espíritas, umbandistas, candomblecistas e muçulmanos, todos vivendo em harmonia e respeitando o direito do outro. Então, é inegável que a espiritualidade e a fé em Deus sejam elementos importantes. Além disso, sempre falamos que nossas famílias tinham direito a um lar, não apenas a uma casa, que a dignidade sempre deve estar acima da ideia de propriedade e que o cuidado com o outro e com o meio ambiente são fundamentais. A partir dessa certeza, estabelecemos uma relação muito forte com a filosofia do Bem Viver, desenvolvida pelos povos originários das Américas, e este é um elemento muito importante da nossa trajetória. Além da espiritualidade e do Bem Viver, tem algo que foi imprescindível: governos comprometidos com políticas públicas voltadas aos mais pobres, o que possibilitou a criação do Programa Minha Casa Minha Vida por Lula e ampliado com Dilma Rousseff. Ao mesmo tempo, tivemos uma excelente relação com a Prefeitura de São Bernardo, à época administrada por Luiz Marinho, o que garantiu obras de infraestrutura fundamentais. Finalmente, e não menos importante, vem o espírito de unidade entre nossas famílias, que se resume à nossa palavra de ordem: quem não luta, tá morto! Essa certeza de que estávamos lutando por algo justo também fez toda a diferença e nos permitiu chegar a este momento tão bonito que estamos vivendo agora.

Papo Reto: Fale um pouco sobre os próximos desafios.

Eduardo Cardoso: Quem dedica a vida à construção de uma sociedade justa é desafiado a todo tempo. Então, eu sei que ainda há muito por se fazer, começando pelos Projetos Frei Tito e Nelson Mandela, que agora entram em um processo de organização e acomodação. Muitas famílias estão morando em apartamentos pela primeira vez, e leva um tempo e muito trabalho para garantir que esta convivência seja boa para todos e todas. E também temos nosso compromisso com o Bairro Cooperativa, pois o impacto da mudança é muito grande. Questões como ampliação do atendimento em saúde, educação, transporte público e segurança estão na ordem do dia. Isso tudo sem esquecer que a luta por moradia para mais famílias tem que continuar, por isso, vamos fortalecer nossos Grupos de Base em toda a cidade.