Nossos Projetos

bem viverCom objetivo de aprofundar as ideias sobre como viver em comunidade, o MSTL realizou no último sábado (09), dentro do programa de formação dos Projetos Frei Tito e Nelson Mandela, um encontro sobre a Filosofia do Bem Viver.

O “Bem Viver”, é uma filosofia dos povos originários, ainda muito praticada pelos povos andinos. Diferente do nosso “viver melhor” ou do que chamamos de “qualidade de vida”, o Bem Viver visa uma ética da suficiência para toda a comunidade e não apenas para o indivíduo. Pressupõe uma visão integradora do ser humano inserido na grande comunidade terrena que inclui o ar, a água, os solos, as montanhas, as árvores e os animais, na busca de um caminho de equilíbrio com o Planeta, com as energias do Universo e com Deus.

A atividade, que aconteceu no auditório da UFABC, em São Bernardo, contou com o apoio do Laboratório Justiça Territorial – LabJuTa, além da própria UFABC – Proec. Compuseram a mesa, o frade dominicano e escritor Frei Betto, a Xamã do Povo Fulni-ô, D’Xoni, Carmencitta Ignatti, do MOPS - Movimento Popular de Saúde, e o Coordenador Geral do MSTL e membro da direção nacional da CMP - Central de Movimentos Populares, Eduardo Cardoso. Como nutrição musical, Pedro Munhoz, seu violão e sua poesia, alimentaram os participantes.

Um rito de celebração xamânico deu início à atividade. Os futuros moradores e moradoras das comunidades dos Projetos Frei Tito e Nelson Mandela foram convidados a levar até o palco suas plantinhas, que comporão a população vegetal dos empreendimentos, enquanto a Xamã D´Xony entoou um canto indígena ancestral de luta pela terra.

Eduardo Cardoso, em sua fala, fez um resgate dos temas do Bem Viver já discutidos nos Coletivos de Formação. Apontou que todo o PTS – Projeto Técnico Social - dos empreendimentos está pautado nos princípios do Bem Viver que traduziu como o Socialismo do Povo. “Nossa ideia é criar nas famílias o espírito de um ser comunitário, um ser sustentável”, destacou o coordenador geral.

Em uma fala contundente, o frade dominicano e escritor Frei Betto apresentou a diferença entre o “Bem Viver” e o “Viver Bem”. Apontou que somos condicionados pelo sistema a almejar o Viver Bem que identificou como o desejo ao acesso aos bens de consumo da sociedade atual: carro, dinheiro, viagens... Destacou o fracasso do sistema capitalista, que não assegura direitos mínimos de vida para a maioria da população, em especial aos três primeiros direitos humanos que são os direitos à alimentação, à saúde e à educação, e concluiu seu pensamento dizendo que “se esta sociedade não garante estes direitos, nós temos que buscar outra sociedade, temos que buscar outra ideia de desenvolvimento que contemple os direitos humanos, que é a ideia do Bem Viver”.

A representante do MPOS se apresentou como “costureira dos saberes” apresentados até aquele momento e realizou uma dinâmica musical com os presentes que destacou a importância das “pessoas plantas” que tinham sido colocadas em posição de destaque no início da atividade. A dinâmica teve como tema principal “uma reflexão profunda do que nos compete, como indivíduos, numa proposta coletiva”, segundo Carmencitta.

Concluindo as apresentações teóricas do seminário, a Xamã D´Xony falou sobre a importância da espiritualidade para o Bem Viver. Trouxe como principal ideia o cuidado com as pessoas, as plantas, os animais e com a Terra.

O encontro foi finalizado com a execução brilhante do Hino do MSTL pelo Pedro Munhoz.