Há mais de um ano, a CMP - Central de Movimentos Populares, se manifestava sobre o momento político, apontando que estava em curso um GOLPE DE ESTADO no Brasil. Este golpe, engendrado pelos capitalistas multinacionais que, diante de uma grave crise econômica mundial, viram a possibilidade de acumular seus lucros surrupiando as riquezas produzidas pelo povo brasileiro, tem como artífices setores importantes do Poder Judiciário, do Ministério Público, da mídia monopolista, em especial a Rede Globo, e de políticos mergulhados em denúncias de corrupção e conspiração contra a Pátria!
Alertávamos, desde então, que o plano adotado pelos golpistas atacaria a democracia, os direitos dos trabalhadores e as conquistas sociais dos últimos anos. Bastaram 10 dias do governo golpista, presidido por uma marionete que, ao lado de sete de seus ministros, é investigado na Operação Lava-Jato, para que os alertas da CMP se confirmassem!
Os “ajustes” propostos pelo governo golpista de Michel Temer atingem diretamente os direitos trabalhistas e previdenciários, precarizam as condições de trabalho, reduzem o papel do Estado, cortam recursos das áreas sociais, favorecem o rentismo, ao manter as altas taxas de juros, inibem os investimentos na produção e geram desemprego.
Todo o teatro armado pelos golpistas, se traduz em uma receita neoliberal, que visa, ainda, a retomada de privatizações de empresas estratégicas, como é o caso da Petrobras.
Diariamente, as notícias, vazamentos criminosos de informações e delações de políticos envolvidos com a trama golpista, confirmam o que já dizíamos: esta necessidade dos capitalistas e de seus lacaios de botar as mãos nas riquezas do povo brasileiro só seria concretizada com o afastamento da presidenta Dilma Rousseff, legitimamente eleita com mais de 54 milhões de votos e afastada injustamente do cargo, sem ter cometido crime de responsabilidade!

CMP ANUNCIA AFASTAMENTO DOS CONSELHOS NACIONAIS
Diante de tantos retrocessos, a CMP decidiu se afastar de todos os conselhos nacionais e espaços que envolvam quaisquer órgãos do governo federal, inclusive os GTEs da SPU.
A CMP, que congrega diversos movimentos populares de sem teto, saúde, educação, LGBT, associações de moradores e grupos populares da periferia, defende e participa dos conselhos em várias áreas de sua atuação por entender que são espaços conquistados pelos movimentos populares e fundamentais na elaboração e fiscalização das políticas públicas. Porém, não participaremos de qualquer ação que envolva este governo provisório e golpista! Sabemos que os conselhos não são espaços de governo, mas também são compostos por representantes dele. Se não reconhecemos o governo, não podemos sentar na mesma mesa! Nossa prioridade, nesse momento, é contribuir para aumentar a pressão e mobilização popular.

NÃO AO GOLPE! RESISTIR, SEMPRE! TEMER, NUNCA.
A CMP conclama todas suas entidades filiadas a cerrar fileiras na denúncia de mais este capítulo tenebroso da tentativa de golpe de Estado em nosso país. Dizemos tentativa, pois ainda há saída para a Democracia! E a saída será nas ruas, na luta, com a organização da resistência popular, não na antecipação das eleições!
Somos os que lutaram pela construção de um novo país, que enfrentaram a ditadura e o desmonte do Estado, levado a cabo pelos governos neoliberais do PSDB. Não tememos enfrentar os traidores fardados do golpe de 1964. Não temeremos enfrentar os traidores engravatados do golpe de 2016! Nossa luta é contra a perda dos direitos duramente conquistados pelo povo, contra o fim dos programas sociais, como o Minha Casa Minha Vida, o Bolsa Família e o Mais Médicos! Lutaremos, até o fim, contra a repressão fascista anunciada pelos golpistas e contra o aprofundamento da criminalização dos movimentos sociais. Lutaremos por milhões de famílias que correm o risco de voltar às condições miseráveis de fome, de desabrigo, de abandono. Lutaremos para que nenhuma gota do Pré-Sal vá para as mãos das multinacionais e que seu lucro seja aplicado em Educação, Saúde e nos programas sociais. Lutaremos por verdadeiras mudanças, especialmente as que podem ser promovidas através de uma Constituinte Exclusiva para Reforma do Sistema Político.
Neste sentido, continuamos com nosso empenho pela realização de um Plebiscito Oficial.

A CMP vai organizar a resistência popular, unida às demais entidades e aos partidos políticos que lutam contra o golpe!

Lutar, sempre! Temer, nunca!

Brasil, 31 de maio de 2016.