grito2015aEm sua 21ª edição, o Grito dos Excluídos e das Excluídas mandou um recado bastante objetivo ao país: os movimentos sociais, os lutadores do povo, a juventude pobre e a classe trabalhadora organizada não vão permitir que a escalada conservadora no Congresso Nacional, coordenada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e que a imposição do ajuste fiscal, patrocinado pela burguesia, sob a coordenação do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que joga sobre as costas dos mais pobres a conta da crise, continuem sem resistência popular.
Embalados pelos gritos de “Fora já, fora daqui, o Eduardo Cunha, junto com o Levy”, milhares de trabalhadores e trabalhadoras se concentraram na Praça Oswaldo Cruz, de onde partiram, sob forte chuva pela Avenida Paulista, até o Monumento às Bandeiras, no Ibirapuera. No percurso, as bandeiras dos movimentos e organizações populares deram o colorido que a Paulista merece, com alegria e com a certeza de que só a radicalização da democracia pode conduzir nossa Nação a uma posição de garantia de direitos a todos, bem diferente das manifestações daqueles que pregam o ódio, a volta da ditadura e a exacerbação do preconceito e da violência contra os pobres.

Fora Eduardo Cunha!
O presidente da Câmara dos Deputados foi um dos principais alvos das críticas dos manifestantes. Responsável por uma pauta conservadora, que retira direitos dos trabalhadores e que prega, descaradamente, um golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, Cunha foi acusado pelo Procurador Geral da República de ter recebido propina de mais de U$5 milhões de empreiteiras e empresas ligadas ao ramo do petróleo, utilizando, inclusive, uma igreja para a lavagem do dinheiro da corrupção.
Para o Coordenador Nacional da CMP – Central de Movimentos Populares, Eduardo Cardoso, o deputado não tem condições morais para continuar à frente da Câmara: “Este senhor, que levou pautas anti-povo à Câmara, convenceu boa parte da população de que suas medidas eram adequadas, através de um discurso extremamente conservador, colocando-se como inimigo número um da corrupção e dos corruptos. Oras, agora vemos que ele é um dos maiores corruptos do Congresso e que, portanto, mentiu aos brasileiros”.
Eduardo Cunha foi responsável por votações prejudiciais ao povo, como a Lei das Terceirizações, que precariza as relações de trabalho, levando milhões de trabalhadores ao risco de demissões e de perdas de direitos históricos, duramente conquistados. Além disso, Cunha protagonizou um verdadeiro golpe no Legislativo, quando, depois de rejeitada a proposta de redução da maioridade penal, repôs, na calada da noite, em votação, obrigando vários de seus “correligionários” a mudarem o voto, aprovando a medida.

E leve o Joaquim Levy com você!
Os movimentos populares também querem a saída imediata do ministro da Fazenda, títere dos banqueiros, Joaquim Levy, que impõe aos trabalhadores um ajuste fiscal para conter a crise, poupando os ricos. Entre as medidas propostas por Levy, estão cortes na Educação, na Saúde e em projetos sociais, como o Minha Casa, Minha Vida.
Para Miriam Hermógenes, da direção do MSTL, quem deve pagar pela crise, são os ricos: “Como diz o ditado popular, ‘quem pariu Mateus, que o crie’. Quem gerou esta crise foi a burguesia, foram os donos dos bancos e dos meios de produção, eles é que devem pagar por ela. Ao invés de cortes nas áreas sociais, exigimos que o governo tome medidas contra a sonegação fiscal praticada pelas grandes empresas e que crie um imposto sobre as grandes fortunas”, defende Miriam.

grito2015bBasta de genocídio!
Os manifestantes também cobraram do governo do Estado de São Paulo a elucidação da chacina que vitimou 19 pessoas na região de Osasco. Estes 19 se juntam a milhares de jovens pobres, negros e periféricos que estão sendo assassinados em todo o país. Aqui, morre mais gente assassinada que em países que estão em guerra, e a juventude é o alvo preferido destes assassinos.
Junto aos jovens da periferia, estão as populações indígenas, vítimas constantes de ataques de latifundiários e grileiros, que roubam suas terras em nome do “agronegócio”.

Não vai ter golpe sem resistência popular
Quem participou do Grito dos Excluídos percebeu que os movimentos organizados estão unidos e na luta pela manutenção e ampliação dos direitos da classe trabalhadora. Rechaçam qualquer tentativa de golpe e de movimentos que pedem a volta da ditadura militar. “Se a burguesia pensa que vai conseguir dar um golpe, derrubando um governo democraticamente eleito, sem resistência popular, está muito enganada! Nós fomos forjados na luta e lutaremos até o fim para garantir os direitos dos mais pobres”, afirma Eduardo Cardoso.
Continuaremos na luta e gritaremos, sempre, contra a injustiça e a opressão aos trabalhadores!